
Identidade digital como primeira linha de defesa — por que a confiança começa no cidadão
19 de janeiro de 2026O avanço do Embedded Insurance e a consolidação do Open Insurance no Brasil podem e devem caminhar de forma complementar para impulsionar um mercado de seguros mais transparente, competitivo e centrado no cidadão. Essa é a principal mensagem do Manifesto do Comitê de Inovação em Seguros, publicado no dia 15 de janeiro, pelo Comitê da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net).
No documento, o Comitê de Inovação em Seguros reconhece o papel estratégico das insurtechs que atuam com Embedded Insurance na ampliação do acesso aos seguros, na simplificação das jornadas e na integração da proteção ao dia a dia dos consumidores. Segundo o texto, esse modelo foi decisivo para aproximar os produtos de seguros da vida real, tornando a contratação mais fluida e contextual.
Ao mesmo tempo, o manifesto destaca que o Brasil vive um movimento estrutural rumo a uma economia de dados aberta, consentida e interoperável, em que o Open Insurance se estabelece como uma infraestrutura essencial para garantir liberdade de escolha, portabilidade, transparência e experiências mais equilibradas para os segurados. A iniciativa é apresentada como um projeto de longo prazo, voltado à proteção dos interesses do titular dos dados e ao fortalecimento da confiança no sistema de seguros.
Para o Comitê, Embedded Insurance e Open Insurance não são modelos concorrentes, mas arquiteturas capazes de coexistir e se complementar, desde que compartilhem um compromisso comum com o protagonismo do segurado. O documento faz um convite direto a investidores, fundadores e CEOs de insurtechs para que participem, de forma espontânea e construtiva, do desenvolvimento do Open Insurance no país.
“O futuro do seguro será definido pela capacidade coletiva de alinhar tecnologia, dados e confiança”, afirma o manifesto, ao defender uma colaboração consciente e uma liderança responsável na construção de um ecossistema mais aberto, eficiente e sustentável.
O coordenador do Comitê de Inovação em Seguros da camara-e.net e idealizador do GuiaOpen, Manuel Matos contextualiza esse momento como parte de uma evolução histórica da distribuição de seguros no Brasil. “A trajetória da distribuição de seguros no Brasil pode ser entendida como uma sequência evolutiva caracterizada por marcos tecnológicos e regulatórios que redefiniram os papéis dos participantes e a relação com os consumidores”, afirma.
Segundo Matos, o primeiro grande marco foi o Bancassurance, “a era da escala e da massificação, quando os bancos se tornaram o principal canal de acesso à proteção, trazendo capilaridade e conveniência, mas limitando a personalização”. Em seguida, vieram as fintechs e insurtechs, representando “o momento da digitalização”, em que a experiência se tornou “mais acessível, transparente e personalizada.”
O terceiro estágio, de acordo com ele, é o surgimento das infratechs, responsáveis pela “infraestrutura regulatória e tecnológica que sustenta o Open Finance e o Open Insurance, garantindo interoperabilidade, segurança e governança de dados”. Já o Embedded Insurance marca “a fase da integração”, ao inserir o seguro de forma invisível e contextual em outras jornadas digitais, embora traga consigo “o desafio da transparência”.
Para Matos, o Open Insurance representa o ápice dessa evolução. “O Open Insurance é o ponto de convergência. O modelo de interoperabilidade entre seguradoras, corretores e clientes, sob consentimento expresso do titular dos dados. Pela primeira vez, o consumidor se torna dono de sua jornada de proteção, com liberdade para comparar, contratar e gerenciar suas apólices em um ambiente aberto e seguro”, conclui.
Na avaliação do Comitê, a participação ativa das insurtechs no Open Insurance não é apenas uma contribuição institucional, mas uma oportunidade estratégica para ampliar mercados, fortalecer reputações e alinhar inovação tecnológica a um ambiente de governança estável e confiável, um passo necessário para a perenidade do próprio setor de seguros.




