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5 de janeiro de 2026A consolidação do Open Insurance no Brasil vem sendo apontada por especialistas como um movimento estrutural que redefine a distribuição de seguros e desloca o debate para além da tecnologia. Transparência, consentimento e protagonismo do consumidor ganham centralidade em um novo ecossistema que impõe desafios e oportunidades para seguradoras, corretores e plataformas digitais.
Para o 1º vice-presidente da Fenacor, coordenador do Comitê Open Insurance da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net) e fundador do GuiaOpen, Manuel Matos, a implantação do Open Insurance representa um dos movimentos institucionais mais relevantes da história recente do setor. Segundo ele, “embora muitas vezes apresentada como uma inovação tecnológica baseada em APIs e portabilidade de dados, sua real magnitude extrapola o plano técnico”, pois promove “uma reorganização profunda da lógica econômica, informacional e relacional que sustenta a distribuição de seguros no País.”
Na avaliação do executivo, o impacto vai além dos sistemas e atinge diretamente as relações entre os agentes do mercado. “O que está em transformação não é apenas a forma como dados circulam entre sistemas, mas o próprio tecido de confiança que conecta segurados, corretores, seguradoras e plataformas digitais”, afirma. Matos ressalta ainda que “transparência informacional, consentimento qualificado e autonomia do titular dos dados passam a ser elementos estruturantes do modelo”, alterando responsabilidades e incentivos historicamente consolidados.
Esse novo cenário, segundo ele, torna inevitável a discussão sobre o futuro da intermediação. “Qual deve ser o papel da intermediação de seguros em um ecossistema de dados abertos, no qual o consumidor assume protagonismo informacional e decisório?”, questiona. Para o dirigente, “mais do que sobreviver à transformação, a intermediação está chamada a se redefinir em função, valor agregado e relevância social.”
A importância de ampliar o impacto prático do Open Insurance também é destacada pelo especialista em transformação de empresas Gustavo Zobaran. Na sua avaliação, o avanço institucional precisa chegar efetivamente ao consumidor. “O OPIN é um avanço enorme, mas o sucesso depende de furarmos a bolha técnica. A escala só vem quando a inovação chega na ponta e transforma, de fato, a experiência do usuário final”, afirma.
Na área de saúde suplementar, o médico da Bradesco Saúde, Gustavo Carvalho, reforça que o Open Insurance contribui para amadurecer o mercado ao deslocar o foco exclusivamente tecnológico. “O Open Insurance realmente amplia o debate para além da tecnologia, ao reposicionar confiança, transparência e consentimento no centro do ecossistema”, afirma. Para ele, “esse movimento é uma oportunidade de evolução para todo o mercado, especialmente para fortalecer a entrega de valor ao cliente e qualificar ainda mais o papel da intermediação em um ambiente mais aberto e colaborativo”.
A reflexão sobre o papel do corretor também é compartilhada pela mestranda da Universidade Mackenzie, Paola Roldan Callegari. Segundo ela, “esclarecer e reforçar a identidade econômica dos corretores é um dos pontos chave para fortalecer o papel dos corretores como um agente que agrega valor ao sistema, de forma explícita e orgânica”. Para a executiva, a análise apresentada sobre o Open Insurance representa “uma excelente reflexão” para o setor.
Na mesma linha, a coordenadora de FNOL da AIG, Suelen Uchoa, destaca a profundidade da transformação em curso. “O Open Insurance vai muito além da tecnologia. É uma mudança profunda na lógica de confiança, responsabilidades e valor na cadeia de seguros”, afirma, ao também classificar o debate como “uma excelente reflexão”.




