
Open Insurance é indicado em curso da ENS como uma das tendências do setor para 2026
26 de janeiro de 2026
Manuel Matos aborda Open Insurance em live do canal Profissional de Seguros
26 de janeiro de 2026Por Manuel Matos*
A economia digital vive um momento decisivo. Nunca tivemos tantas tecnologias capazes de processar dados, automatizar decisões e integrar sistemas. Ao mesmo tempo, nunca estivemos tão expostos a fraudes, abusos, vazamentos e crises de confiança.
Esse paradoxo revela um ponto estrutural frequentemente ignorado: não existe economia de dados sustentável sem identidade digital confiável.
O eBook Identidade Digital — Onde a Sua Segurança Começa parte de uma premissa clara e poderosa: a confiança digital não nasce nos sistemas, mas na identidade do cidadão. Essa afirmação desloca o debate da eficiência tecnológica para o campo da legitimidade institucional — exatamente onde ele deveria estar.
No contexto do Open Insurance, esse deslocamento é decisivo. O Open Insurance não é apenas uma arquitetura de interoperabilidade. Ele é, antes de tudo, uma infraestrutura de exercício da vontade econômica do titular dos dados. Dados só podem circular de forma legítima quando existe consentimento válido. E consentimento válido não é um clique: é um ato jurídico, sustentado por identidade verificável, autoria atribuível e responsabilidade clara.
Sem identidade digital confiável, o consentimento se reduz a um evento técnico. Com identidade confiável, o consentimento se transforma em ativo econômico. É nesse ponto que identidade digital e Open Insurance se tornam indissociáveis. O Open Insurance não cria confiança — ele pressupõe confiança pré-existente. Essa confiança nasce fora dos sistemas, na relação entre o cidadão e uma infraestrutura institucional que reconhece, valida e protege sua identidade.
O Brasil possui uma vantagem rara nesse cenário: uma infraestrutura nacional de confiança consolidada, a ICP-Brasil, e uma categoria profissional que, há décadas, atua como mediadora qualificada dessa confiança. Os corretores de seguros, historicamente habituados a lidar com risco, prova, autoria e responsabilidade, já exercem — muitas vezes de forma silenciosa — o papel de agentes humanos da confiança digital.
Quando o Open Insurance é corretamente compreendido, ele deixa de ser visto como inovação tecnológica e passa a ser entendido como evolução institucional natural: da identidade confiável, ao consentimento válido, à circulação legítima de dados, à proteção econômica sustentável.
A pergunta não é se devemos inovar, mas sob quais fundamentos queremos fazê-lo.
* Manuel Matos é 1º vice-presidente da Fenacor, coordenador do Comitê de Inovação em Seguros da camara-e.net, entidade que presidiu durante cinco anos. Também é fundador da Via Internet Insurance Consulting e do GuiaOpen.




